ISSN 1982-8802

Ano X | Publicação Semestral

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Filosofia

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Estética

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Coisas que o Primeiro Cachorro na Rua Pode Dizer

Caio Meira

Azougue, 2003

"A poesia de Caio Meira tem a coragem de ter o prazer de conhecer e de estranhar, e de dar a estranhar e a conhecer aquilo que todo o mundo nem sequer se lembra de ter tido um dia a coragem de conhecer ou de estranhar de verdade. Por isso, isto é, pela sua beleza, ela deve ser lida."

Antonio Cicero

A Fronteira Desguarnecida: Poesia Reunida 1993-2007

Alberto Pucheu

Azougue, 2007

Há na obra de Alberto Pucheu uma característica rara na poesia brasileira contemporânea: um projeto. Desde seus primeiros livros, ele nos traz uma investigação coerente e própria em relação à linguagem, sem nunca cair no mero exercício de estilo.

Essa investigação pode ser percebida em dois elementos recorrentes de seu texto. O primeiro é a dissolução entre gêneros, especialmente ensaio e poesia. A segunda é a experimentação com fragmentos de discursos ready-made, capturados seja na rua, na televisão ou em mensagens eletrônicas de amigos. É um momento em que o poeta se torna, mais do que um criador, um “arranjador” de textos alheios, para usar o termo por ele mesmo cunhado.

Num momento em que a arte se submete cada vez mais a um princípio de realidade, como se precisasse de elementos externos para se autentificar, a obra de Pucheu caminha num sentido inverso: nunca há nele um simples registro ou inventário. Ele se utiliza do discurso alheio para forjar uma expressão própria, informada e experiente.

É essa expressão, sempre permeada de beleza e originalidade, que podemos apreciar na íntegra, complementada por uma reunião de entrevistas que demonstram a possibilidade de um projeto consciente e fundamentado na poesia contemporânea, fato muitas vezes negado por alguns críticos atuais. Isso, por si só, já valeria a leitura atenta desse livro. Mas há, acima de tudo e sempre, a poesia.

Noiva

Renato Rezende

Azougue, 2008

Noiva é a seqüência inevitável (mas ainda assim surpreendente) do que o autor já roçava explorar em Ímpar (publicado em 2005 e ganhador do Prêmio Alphonsus de Guimaraens da Biblioteca Nacional). Trata-se de um texto que não se resolve entre prosa, poesia, diário, depoimento, ou qualquer outra modalidade literária. A sua poesia é, entre outras coisas, o registro de uma vivência meditativa desconcertante e a tentativa de viver no limite da perplexidade entre ser e não-ser. Noiva é um livro extremamente contemporâneo.

Nas palavras de Eduardo Guerreiro: “O livro se define por uma palavra que usou: ‘estilhaços’. Clarice dizia que não se preocupava em escrever literatura, por isso escrevia simples, mas conseguiu a tão difícil intensidade da mais genuína literatura no âmago da simplicidade. Noiva chega a ser, num certo sentido, mais radical: assimila erros gramaticais da língua falada, abreviaturas da escrita informal ("pq") com o claro objetivo de se distanciar da linguagem, claro que sempre por meio da linguagem. Ao contrário do culto e do cultivo da linguagem na sua definição mais teórica em voga hoje, o que interessa é a perda da linguagem, sacrificando por isso qualquer rastro de artesanato e cuidado da escrita para ganhar a experiência. Armando Freitas Filho, por exemplo, luta com a linguagem até o fim, possui uma escrita plena de conflito entre o cuidado extremo e o descontrole, ao contrário do relaxamento da geração marginal. Renato Rezende seria uma alteridade ainda não imaginada dos dois (Armando e geração marginal): desespero e desejo extremo da experiência de abandono total da linguagem por meio do ‘descuido calculado’ com a mesma, da destruição da linguagem do eu e do eu da linguagem, trata-se de um verdadeiro descuido ascético, lá onde se dá a ascese propriamente dita: na cotidianidade diária, no desenrolar do tempo vivido.”

Margem de Manobra

Claudia Roquette-Pinto

Aeroplano, 2006

Neste livro, o leitor encontrará certas marcas distintivas da poética de Claudia Roquette-Pinto: a escrita que parece querer representar a temporalidade mesma – lenta e densa- do pensamento, certa depurada educação pelos olhos, e aquela arte da composição que por meio de cortes, parênteses, travessões, variadas vozes, respirações moduladas, aliterações, rimas internas, perfaz como que uma elaborada sintaxe total do poema.

Entretanto, desde seu poema inicial – o antológico “sítio” -, este livro acena com a interferência de um plano que vem invadir com força uma poesia, até aqui, de tendência abstratizante. Neste poema, inesperadamente, a morte pousa sobre a cabeça de uma criança como um moribundo. Logo adiante, outro “dois pontos insólito”: uma “flor dilacerada” repete, “entre as coxas”, “o buraco da bala no peito”. Trata-se aqui, portanto, da invasão de uma realidade violenta e exterior aos domínios do pensamento e do poema (cabe aqui perguntarmos: seria essa uma tendência da poesia da década atual, de que este livro seria um dos sinais, a de abrir-se ao mundo, de recuperar certo lirismo e certo sujeito – desprovidos de toda ingenuidade -, indicando uma diferença em relação a uma poética da clôture, através da qual os anos 90 deglutiam e reinventavam Cabral e os concretos?)

Com efeito, esse plano traumático do real operará no livro, com relação aos demais planos que nele também surgem com força – notadamente: o erotismo, o amor – sob uma lógica de superposição e deslizamento: a “Margem de manobra” é corpo, mas corpo que se insere num real incontornável. Superposição que encontramos na própria polissemia de alguns títulos, como “Mira” e “Sítio”: deslizamento que faz com que uma cor, “Azul”, signo em princípio daquela educação depurada dos olhos, torne-se inesperadamente um genocídio por cianeto: superposição, finalmente, que atinge sua realização mais condensada em extraordinários poemas como “Na Montanha dos Macacos” e “Os dias de então”, em que se fundem pulsões de vida e de morte, uma baioneta adentra uma barriga como um pênis uma vagina, as rosas no jardim de Kinneys misturam-se ao urânio 238 que causa anomalias genéticas em várias gerações.

Em meio à tal violência, produzindo o registro tensional desse livro, muitos e belos poemas de intenso erotismo – “O primeiro beijo”, “Kit e Port”, “Homem: Modo de Abrir” - onde encontramos aquelas imagens exatas (pois a poesia de Claudia é também uma poesia das sensações) como um “coração, fosforescente, no escuro”.

Francisco Bosco

O tigre de veludo (alguns poemas)

E.E. Cummings (tradução e seleção de Adalberto Müller, Mario Domingues e Mauricio Cardozo)

Unb, 2007

Cummings é bastante conhecido pelo estilo não usual utilizado em muitos de seus poemas, que incluem o uso não ortodoxo tanto das letras maiúsculas quanto da pontuação, com as quais, inesperadamente, sem motivo e de forma aparentemente errônea, é capaz de interromper uma frase, ou mesmo palavras individualmente. Muitos de seus poemas possuem, também, uma distribuição não convencional, aparentando pouco ou nenhum sentido até serem lidos em voz alta.

 

Editor | Eduardo Guerreiro B. Losso
Contatos | revistapontodoc@gmail.com