Revista.doc

Ano XIII | 30 de junho de 2013 | ISSN 1982-8802

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As manifestações, os debates e a matéria comigo na Folha

Claudio Willer

Poeta, ensaísta e tradutor

Fui dormir especialista em poetas malditos (a palestra de ontem em Diadema) e acordei ícone da contracultura (hoje na Folha de SP). Pode ser. Dinossauro, nem tanto, pois não estou extinto.

Está em http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/06/1303571-acao-contra-poder-e-tradicao-anarquista-diz-icone-da-contracultura.shtml

São resumos – matéria de Morris Kachani enfrentou a dificuldade de resumir sessão de duas horas, somando o que expus, mais o que Edson Passetti observou, o debate e o que conversamos depois.

Sessão foi gravada pela TV PUC e pelo NuSoL – teremos disponível na íntegra, acho. Havia anunciado: http://claudiowiller.wordpress.com/2013/06/25/conversacao-com-claudio-willer-beats-anarquistas-e-os-jovens-em-movimento-desta-vez-na-puc/

Vou detalhar alguns tópicos neste blog. Assunto não falta.

Alguma coisa, já.

Criaturas que devoram o criador. O paralelo com a Revolução Francesa é precário, evidentemente. Exaurida pela Guerra dos Sete Anos (1756-1763 – contra a Inglaterra, perderam, tiveram que sair do Canadá), a França enfrentava uma crise econômica agravada por problemas climáticos e más colheitas e pela recusa da monarquia a reduzir seus gastos. Luís 16 pagou a conta dos erros e megalomania de Luís 15. Mas a convocação de uma assembleia, os Estados Gerais, em maio de 1789, mostrou-se um tiro pela culatra, ou no pé: foi seguida pela Queda da Bastilha a 14 de julho e pela deposição da monarquia em 1791. Aqui, a resposta governamental, apresentando uma proposta de reforma política, assim como as iniciativas parlamentares, pulverizando instantaneamente a sinistra PEC 37 e classificando corrupção como “crime hediondo”, reduzem, em vez de recuperar a credibilidade. Deixam no ar esta pergunta: onde se encontravam e o que estavam fazendo até agora? Daí os números da pesquisa de opinião publicada hoje na Folha de SP.

Quero ver mais pesquisas: avaliações do Congresso, de governos estaduais e administrações municipais. Provavelmente, darão amanhã. Confirmarão, suponho, o que já vinha observando sobre crise da representação. Vai ser meu tema na próxima postagem, na qual também criticarei o apartidarismo proclamado pelo MPL: se é para haver democracia direta, então tem que ser antipartidarismo mesmo.

Mas, desde já, a questão cultural. Todas as grandes mobilizações de protesto, desde a Revolução Francesa, expressão do Iluminismo e da crítica filosófica do século 18, até a contracultura, tiveram relação com movimentos literários e artísticos, e com a produção de ideias. O que postei aqui sobre Rimbaud e a Comuna não é detalhe, porém exemplo. Nas pró-diretas e nas anti-Collor, políticas culturais públicas foram um tema forte. Desta vez, há o risco de cortarem verbas das secretarias de cultura para melhorar transportes e outros serviços. Mais e melhores bibliotecas, centros culturais em funcionamento, menos desperdício com eventos festivos: temas para agregar à pauta das reivindicações.

Quer dizer que, neste momento, adeptos da Rede de Marina Silva colhem assinaturas na Marcha para Jesus, lado a lado com Marco Feliciano? Bah. Pfui. Quero distância, muita distância de quem chegar perto de Silas Malafaia e demagogos afins. Conheço gente boa, ambientalistas consistentes, ligados à formação desse novo partido. Onde enfiarão a cara?

Do blog do Claudio Willer: http://claudiowiller.wordpress.com/2013/06/29/as-manifestacoes-os-debates-e-a-materia-comigo-na-folha/

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