Poesia lírica após Auschwitz, de Herbert Marcuse

RESUMO: Neste texto incompleto e sem datação precisa, Marcuse apresenta algumas teses sobre arte e subjetividade que já haviam aparecido em outros trabalhos, como a idéia de que a poesia continua possível após Auschwitz, desde que ela seja capaz de representar o seu horror e também o horror do presente. Ainda que a sublimação, a suavização do horror, faça parte da forma estética, a arte é uma importante força emancipatória. A forma estética exige que se preserve o universal no particular de uma obra e esse poder trans-histórico, mais que uma qualidade de um estilo específico da arte, é uma qualidade essencial, que revela dimensões da realidade que foram ocultadas. As tentativas de dessublimar a literatura, de livrar-se da forma estética, reduz o escrito a mero assunto privado, a uma fuga ilusória da sociedade pois, mesmo que indiretamente, a sociedade sempre aparece na obra. Marcuse afirma também que a subjetividade tem um papel ambíguo no capitalismo: é uma esfera de resistência e proteção contra as relações sociais desumanizadoras, mas também é impotência diante da invasão das relações de troca na esfera da vida privada. A busca por libertação e felicidade, um elemento de transcendência, faz parte da subjetividade – quer dizer, a subjetividade é “política” em si mesma.

 

ABSTRACT: This incomplete text, without precise dating, presents Marcuse’s thesis about art and subjectivity that was also presented in other works, such as the idea that poetry still possible after Auschwitz, as long as poetry represents its horror and today’s horror too. Even though sublimation, horror’s mitigation, is part of aesthetic form, art is an important emancipator force. The aesthetic form demands the preservation of the universal in the particularity of an oeuvre and these trans-historical power, more than an specific art style quality, is an essential quality, that reveals dimensions from reality that has been hidden. The efforts to dessublimate literature, to get rid of aesthetic form, reduce the text to mere private matter, to an illusory escape from society, because even indirectly, society always appears in the work of art. Marcuse also asserts that subjectivity has an ambiguous role on capitalism: is a resistance and protection sphere against the inhuman social relationships, but is also impotence against the invasion of trade relations in the private life sphere. The search for liberation and happiness, a transcendent element, is part of subjectivity – i. e., subjectivity itself is “politic”.

Palavras-chave: Auschwitz, Poesia, Marcuse

 

Key Words: Auschwitz, Poetry, Marcuse

Luís Gustavo Guadalupe Silveira é graduado (bacharelado e licenciatura) em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia (2004). Trabalhou por dois anos como professor substituto contratado da Universidade Federal de Uberlândia. Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia. Foi bolsista da Fapemig. Tem experiência na área de Educação de Adolescentes, Produção Musical e Cultural, Filosofia, com ênfase em Filosofia Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: Éstetica, Filosofia Política, Escola de Frankfurt.

 

Luís Gustavo Guadalupe Silveira is graduate at Filosofia from Universidade Federal de Uberlândia (2004) and master's at Mestrado em Filosofia from Universidade Federal de Uberlândia (2009). Has experience in Philosophy, focusing on Philosophy, acting on the following subjects: herbert marcuse, education, political philosophy, aesthetics.

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