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Ano VIII | nº 4 | Julho/Dezembro 2007 | Publicação Semestral


Adolfo Montejo Navas

É artista plástico, poeta e tradutor. Nasceu em Madri, mora no Brasil há 13 anos. É colaborador de diversas publicações culturais de Espanha e de Brasil, e correspondente da revista internacional Lápiz. Foi correspondente do jornal El mundo, durante a década 90. Colaborou com a revista Cult, organizando vários dossiês. Possui textos críticos em diversos livros e catálogos. Publicou cinco livros de poesia, entre eles, Na Linha do Horizonte: Conjuros, editora 7 Letras, e Pedras pensadas, editora Ateliê. Traduziu obras de Armando Freitas Filho, Sebastião Uchoa Leite, poemas de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa, entre outros.

Ist bildender Künstler, Dichter und Übersetzer. Er ist in Madrid geboren, wohnt in Brasilien seit 12 Jahren und seine Kunstwerke wurden unter anderen schon in Städten wie in Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, La Paz, Madrid, Lisboa, ausgestellt. Er hat fünf Bücher veröffentlicht einschließlich Na Linha do Horizonte: Conjuros, 7 Letras Verlag, und Pedras pensadas, die im Ateliê Verlag erschienen sind, und auch An der Linie des Horizontes: Teufelsaustreibung, 7 Letras Verlag, und gedachte Steine, Atêlie Verlag. Er hat unter Anderem Werke von Fernando Pessoa, Armando Freitas Filho, Sebastião Uchoa Leite übersetzt.

Poemas de ENQUANTO PASSA O VENTO

7
El día se disfraza de días, para ocupar
el tiempo que falta hasta la noche,
cuando el final de cualquier cosa puede matar.
No, no se parece a nada ni a nadie este reflejo
de la luna en los coches apagados, mientras
el viento afuera se mueve, hace llover
las hojas de los árboles como calendas.

*

7
O dia se disfarça de dias, para ocupar
o tempo que falta para a noite,
quando o final de qualquer coisa pode matar.
Não, não se parece com nada nem a ninguém

esse reflexo da lua nos carros apagados,
enquanto o vento fora se move, faz chover
as folhas dos árvores como calendas.

***

14
El nombre de la vida es fiera,
parafraseando un verso amigo,
una vida otra, mordida
y tan parecida. Ella corre
como un animal salvaje, sobre
todo ahora en la despedida,
cuando lo que hiere muere menos.

*

14
O nome da vida é fera,
parafraseando um verso amigo,
uma vida outra, mordida
e tão parecida. Ella corre
como um animal selvagem,
sobretudo agora na despedida,
quando o que fere morre menos.

***

44
Primero las palabras no existen,
son esculturas pequeñas, móviles
que no se pueden tocar, ámagos
suspendidos en el aire de adentro.
Después la forma se anuncia
a los ojos más ciegos de tanto ver.
Los versos caen como otra respiración.

*

44
Primeiro as palavras não existem,
são esculturas pequenas, móbiles
que não se podem tocar, âmagos
suspensos no ar de dentro.
Depois a forma se anuncia
aos olhos mais cegos de tanto ver.
Os versos caem como outra respiração.

***

61
Mapéase lo extraño,
bajo cualquier lado que se mire.
Y la temperatura secunda,
con luna pálida o sol incandescente.
Porque no hay por qué anterior,
sólo pregunta empujando la tinta
hasta la pared invisible de la página.

*

61
Mapeia-se o estranho,
sob qualquer lado que se olhe.
E a temperatura secunda,
com lua pálida ou sol incandescente.
Porque não há por quê anterior,
só pergunta empurrando a tinta
até a parede invisível da página.

***

(in memoriam Sebastião Uchoa Leite)

69
De consolatio son nuestros vestidos,
cuando la muerte es irreal
junto a las flores que amarillean
a la entrada del sol, por la última ventana,
ésa que toma el pulso de la gente.
El nombre que se ha ido es inflexible
y vive siendo ahora nuestro eco.

*

69
De consolatio são nossos vestidos,
quando a morte é irreal
junto às flores que amarelam
à entrada do sol, pela última janela,
essa que toma o pulso da gente.
O nome que foi embora é inflexível
e vive sendo agora nosso eco.

***

84
Los años cumplen su cometido
vano, recoger ascuas perdidas
en el espejo ciego de cualquier
horizonte arado. Y en la divisa
propia de cuatro décadas más una,
al tiempo que era tenso se le llama
noble. A esta mirada siembra, siembra.

*

84
Os anos cumprem seu cometido
vão, recolher brasas perdidas
no espelho cego de qualquer
horizonte arado. E na divisa
própria de quatro décadas mais uma,
ao tempo que era tenso se lhe chama
nobre. A este olhar semeadura, semeadura.

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