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Ano VIII | nº 3 | Janeiro/Junho 2007 | Publicação Semestral

Ricardo Vieira Lima

A UM ITABIRANO, COM AMOR

E como eu percorresse atentamente
uma obra de Minas, majestosa,
que ilumina corações e mentes

e devolve ao povo a sua rosa,
descobri que o poeta é, sobretudo,
um exemplo de vida dolorosa.

Mas a vida, como se sabe, é tudo,
e a morte, essa visita derradeira,
pode atrasar, mas chega - não me iludo.

A lição dessa obra é a primeira:
nascemos para amar. O resto é espuma
que se esvai entre todas as besteiras

que dizemos e fazemos. Em suma,
o amor, essa "palavra essencial",
justifica a vida. Então, nenhuma

outra é mais bonita. Ou mais banal.
Quando o poeta itabirano nasceu,
há cem anos, um coro celestial

de anjos, na verdade, emudeceu.
Porque diante de um ser muito amoroso,
não há anjo, arcanjo ou orfeu

mais puro, mais sagrado, mais zeloso.
Quando o poeta itabirano se foi,
em busca de um amor tão venturoso,

que unia pai e filha, os dois,
irmanados na alegria e na dor,
não sabia que, quinze anos depois,

um obscuro poeta, em seu louvor,
dedicaria estes versos à glória
de um itabirano, com amor.

Amor que não me sai mais da memória.

Ricardo Vieira Lima

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