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Revista.doc Ano VIII | nº 3 | Janeiro/Junho 2007 | Publicação Semestral |
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Franklin Alves Anzóis Não
fisgar o peixe E
ao voltar * Céu vermelho Neste
ringue aberto * Manchamos o pano claro do dia com sangue. Manchamos outro pano ao tentar limpar o primeiro. Não limpamos o primeiro. A menina japonesa não tinha nenhuma mancha preta no céu claro de sua pele: nenhuma revelação. Calçava botas ortopédicas. Nenhum cego ri daqueles que enxergam (Com o garfo, Borges ciscava o prato tentando encontrar pedaços de carne). Ninguém incendeia objetos ao tocá-los. Ninguém tem formigas deslizando nas veias. Nenhuma puta tem mil bocas, pois só temos um pau. Ainda não tiramos a poeira das coisas. * Miles Davis De
nada adiantará Depois
do sopro no barro perde o fôlego Deixa
que toquem por você * Palmilhar
de- * O grande Buda Incisa
o corpo * Céu vermelho O homem que ia atravessar as caixas, de uma margem a outra, morreu ontem. O outro homem, aquele que ia receber as caixas na margem oposta, desistiu logo após a notícia da morte. Ficamos deste lado com os embrulhos, pensando em abri-los. A dúvida cheia de olhos nos espreitava. Não abrimos. Sob um céu vermelho, meditamos a morte das coisas que elegemos, e que estariam, agora, no outro lado. Meditamos o imprevisto das caixas, que não nomeamos acaso, mas uma ordem que regula desde átomos até casos como este. Franklin Alves (?) |