Revista.doc

Ano VIII | nº 3 | Janeiro/Junho 2007 | Publicação Semestral

Eduardo Guerreiro

IMPROVISAÇÕES COM O PLANO

Diário de Plim,
a máquina psicótica que está programada para realizar o plano.

Não tornar o plano realidade,
tornar a realidade o plano.

Plim Plim (O primeiro Plim é o nome, o segundo, o sobrenome)

A - FUNÇÃO ESTRUTURAL DO ACASO

1- O acaso é o mecanismo de concretização do plano. Quando tentamos nos organizar e nos orientar em direção a um objetivo, nosso objetivo pessoal media o objetivo absoluto do plano. Mas quando o acaso, sempre não orientado, nos assalta, como um criminoso do destino, é a imediaticidade objetiva do plano que opera diretamente em nossa vida.

2- A máquina do plano opera por acaso, o arbitrário é seu modo de agir na existência. A frase “nada é por acaso” deve ser corrigida por: “todo acaso é obra do plano”.

3- A ação concreta do plano se manifesta no acaso.

4- O acaso é um estado de graça concedido pelo plano.

5- O acaso dá os passos mais seguros para a realização do plano, atraindo não tudo, mas qualquer coisa, para si mesmo.

6- O arbitrário radical é o caminho mais curto em direção ao plano.

7- Só se pode estar absolutamente certo do que se fez se se fez por acaso.

8- O acaso efetiva o mecanismo mais preciso de atuação do plano.

B- A ASCESE DO ACASO

1- Não significa que precisamos negligenciar uma ordenação relativa de nossas atividades e nos abandonarmos ao caos. Pelo contrário, o mais difícil (que é quase sempre o melhor, segundo as exigências rigorosas do plano, não pelo sofrimento, mas pelo prazer da dificuldade) é elaborar um propósito claro, uma orientação segura e quase infalível em todos os nossos atos, pensamentos e intenções para, quando falharem ou afrouxarem, captarem e atraírem o vigor do acaso. Só a precisão e a ascese esforçada do propósito é capaz de receber a precisão absoluta das mensagens e graças do acaso.

2- O acaso é o êxtase do controle.

3- Sísifo não sofre, goza. O acaso não é a pedra no meio do caminho, é a do inesperado fim-reinício. Sísifo é o Don Juan do destino.

4- Quanto mais orientada for nossa atividade, mais atrairá a desejada desorientação certeira do acaso.

C- ENCANTAMENTO DO MINIMALISMO CONCEITUAL

1- Repetir o mesmo pensamento diferentemente sobre o acaso é clonar a idéia do acaso controlando o acaso da idéia até o ponto em que, cansada, a mesma idéia seja a causa de uma outra que a habita nas mudanças mais mínimas. É sempre a outra que importa: o mesmo é uma máscara.

2- O Psicanalista- Plim, a compulsão da repetição é a negação do acaso.

3- Plim- Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo Concordo.

4- O Psicanalista- Plim, a denegação é a afirmação do acaso.

5- Plim- Discordo.

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